O modo como as lésbicas são representadas nas telas do cinema sempre nos leva a pensar sobre a questão do “masculino” e do “feminino” nas relações entre mulheres. Corky & Violet, Marijo & Loli, Brandon Teena & Lana, Amy & Linda, Luce & Rachel, Jessica & Helen e tantas outras personagens não escapam aos rótulos “butch” e “femme” e acendem a discussão sobre o que significam os modelos encarnados por estes ícones dos filmes lésbicos. Alguns estudos dedicados à questão da identidade lésbica trazem idéias interessantes para alimentar os debates. Aqui vão algumas sugestões retiradas de um artigo de AMY GOODLOE. A referência completa está no final do texto.
Nos anos 40 e 50, ser “butch” (masculinizada) ou “femme” (feminina) era quase uma norma de comportamento entre as lésbicas. Entre os casais de mulheres, o mais comum era que uma adotasse modos de se vestir masculinos e tomasse atitudes sexuais agressivas, enquanto a outra apresentava um visual dentro do padrão feminino e tinha atitudes sexuais passivas. Joan Nestle fez um importante estudo sobre as lésbicas neste período.
A partir dos anos 60, o movimento feminista provocou uma revisão deste padrão de relação baseado no desempenho de papéis masculinos e femininos. A crítica feminista se dirigiu contra as relações de dominação entre homens e mulheres e o movimento lésbico absorveu esta idéia, passando a defender a existência de uma forma mais igualitária de relação entre mulheres, que não repetisse a desigualdade opressora contida nos papéis de “homem” e de ‘mulher” estabelecidos na sociedade. Esta herança do feminismo fez com que o próprio movimento lésbico passasse a criticar certo tipo de relação em que uma das partes desempenha o papel dominador de homem (como faz a “butch”/”ativa”) enquanto a outra parte (a “femme”/”passiva”) fica submissa e presa ao papel tradicional feminino. Toni McNaron, Elizabeth Wilson e Lillian Faderman realizaram estudos dentro deste ponto de vista, mostrando as diversas formas de opressão que se reproduzem nas relações entre mulheres.
Esta visão inspirada pelos estudos de cunho feminista foi alvo de alguns questionamentos por parte de Gayle Rubin. Existe uma forma “correta” de ser homossexual? Não estaria aí mais uma tentativa de criar normas de comportamento sexual? Como conseqüência destas normas, as relações entre mulheres baseadas no desempenho de papéis “masculinos” e “femininos” passam a ser vistas como erradas ou desviantes e se tornaram marginalizadas dentro da comunidade lésbica. Faz sentido que o movimento lésbico, lutando por tanto tempo contra a discriminação, pratique discriminação em seu próprio seio? Por que razão as mulheres com aparência masculina provocam tanto incômodo? Há o temor de que estas mulheres, ao assumirem “posturas masculinas”, acessem privilégios tidos como exclusivos dos homens – não só os sexuais, é claro, como também os econômicos, como por exemplo, alcançando funções poderosas e muito bem remuneradas? Isto é algum tipo de “ameaça à ordem” estabelecida no universo heterossexual? A aparência masculina assumida pelas lésbicas as torna visíveis demais para a sociedade, incomodando aos que preferem permanecer “invisíveis” e em segurança?
As primeiras mulheres a exibir aparência e atitudes masculinas na sociedade eram vistas como “invertidas”, ou pessoas que, por um “defeito congênito”, nasceram no “sexo errado”. A sociedade não sabia ainda explicar como alguém poderia ser biologicamente do sexo feminino e ostentar traços de ‘masculinidade’. Na visão dominante na sociedade, havia um elo entre o sexo biológico e o gênero, por isso mulheres masculinizadas eram contradições ambulantes, cuja existência era atribuída a um “defeito de fábrica”. Madeline Davis e Elizabeth Kennedy mostram que esta performance masculinizada poderia ser vista como um meio de resistência a ambientes hostis e como uma forma de transgressão dos limites de gênero estabelecidos pela sociedade, desafiando a ideologia de que comportamentos “masculinos” e “femininos” estão baseados em diferenças sexuais inatas.
Dentro desta linha de debates, Esther Newton e Shirley Walton investigam se o desempenho de papéis “butch” e “femme” simplesmente reproduz os papéis heterossexuais ou de alguma maneira os desafia. Estes estudos procuram mostrar que lésbicas que aparentam masculinidade não desejam necessariamente se tornar homens, mas adotam a aparência masculina como expressão da rejeição do papel feminino, tal como este é tradicionalmente definido. Estas mulheres rejeitam as convenções sobre o que é ser “feminina”, principalmente em termos de vestimenta, postura, desempenho de atividades, etc. Neste ponto de vista, não há uma imitação, mas um modo particular de viver e de amar, que abre novas possibilidades de “exercer” o “feminino” e o “masculino”.
Os estudos seguintes investirão na idéia de que a hierarquia de gêneros está fincada em uma construção social de papéis e não em comportamentos sexuais inatos. O desempenho de papéis passa a ser visto como uma performance, como se fosse uma encenação, chamando-se a atenção para o sentido do termo “papel” como um artifício ou máscara com o qual se pode flertar de modo inconstante, ao invés de fixo e imutável (como seria se fosse um “comportamento natural”). Como se as pessoas pudessem abrir um baú cheio de “peças” que remetem ao masculino e ao feminino e ir compondo seu próprio “personagem”. Teresa de Lauretis apresenta estudos importantes nesta linha de argumentação.
Judith Butler radicaliza de vez a discussão. Ela afirma que as lésbicas não estão imitando o “original”, porque o “original” não existe. Homens também usam de performances para construir sua masculinidade (só que os homens são legitimados e incentivados pela sociedade). Dentro deste ponto de vista, a própria heterossexualidade é uma “imitação” de uma natureza idealizada e não uma expressão verdadeira da sexualidade. A paródia homossexual da heterossexualidade é uma imitação da imitação, uma cópia da cópia, para a qual não existe ‘original’. Nos tempos atuais, como as referências disponíveis são muitas e variadas, reina um “caos” de aparências, símbolos e códigos que sinalizam várias identidades, várias formas de ser lésbica (e também de ser heterossexual!).
No final dos anos 80 surge a teoria queer, que vai trabalhar em torno da idéia de que as identidades sexuais são totalmente dependentes de representações. As pessoas descobrem suas identidades sexuais trabalhando com e contra as identidades que a cultura disponibiliza. A fluidez do gênero se tornou mais aceitável na sociedade. Não há identidades autênticas nem desviantes, mas personagens construídos. As idéias de ‘pansexualismo’, ‘polimorfismo sexual’ indicam que o desejo das mulheres pode não estar orientado em direção a apenas um gênero. Argumenta-se agora que rótulos “masculino” e “feminino” simplificam e generalizam identidades complexas a partir de uma falsa dicotomia. Trabalha-se com a idéia de um “continuum” de múltiplas formas de expressão sexual.
O debate está longe de terminar por aqui. Argumenta-se, por um lado, que pode ser libertador “desconstruir” a idéia de um modelo de identidade lésbica, pois assim ninguém pode se auto-proclamar o representante “correto” ou “normal” deste padrão e, conseqüentemente, não pode acusar outros de serem “desviantes”. Por outro lado, se não há uma “identidade lésbica”, como as lésbicas poderão se unir para lutar contra a homofobia? Como lidar com o risco de que a ausência de uma identidade reconhecida entre os membros de um grupo marginalizado o desmobilize politicamente?
Muita goma pra mascar, muitas idéias pra debater...
A pesquisa aponta que a aparência de liberalidade sexual do brasileiro, alimentada pela exposição de homossexuais na mídia, pela existência de paradas gays em diversas cidades e pela experimentação sexual que reina no carnaval, na verdade esconde uma visão conservadora da sexualidade. Em outras palavras, a cabeça do brasileiro, em termos de sexo, parece dar preferência ao papai-e-mamãe.
No que diz respeito ao homossexualismo, tanto masculino quanto feminino, os índices de rejeição dos entrevistados na pesquisa ultrapassam, em média, os 80%. O conservadorismo se reflete na opinião sobre outras questões, como o sexo oral (entre homem e mulher), desaprovado por praticamente 60% dos entrevistados e o sexo anal (entre homem e mulher), com 74% de rejeição.
As opiniões variam, mas nem tanto...
O interessante desta pesquisa é que ela ouve opiniões pelo país afora, de pessoas de diferentes categorias sociais e níveis de escolaridade, e vemos então como há variações de opinião. Geralmente, tendemos a achar que as condições dos grupos sociais com os quais convivemos diretamente são as mesmas do restante da população. E a pesquisa mostra o contrário: que há diferenças de valores de acordo com idade, região em que se mora e escolaridade, por exemplo.
Os índices de rejeição ao homossexualismo tendem a cair (mas a cair bem pouco) conforme nos deslocamos das não-capitais para as capitais e das regiões norte/nordeste para as regiões sul /sudeste. Isto significa que os maiores índices de rejeição encontram-se entre as pessoas que habitam cidades que não são capitais e que estão nas regiões Norte e Nordeste.
Há diferenças de opinião sobre homossexualismo também entre pessoas de faixas etárias diferentes. Quanto mais velhas, maior o índice de rejeição. As pessoas que trabalham também rejeitam menos o homossexualismo do que a que não trabalham. As diferenças de sexo apontam que os homens são um pouco mais contrários ao homossexualismo masculino e as mulheres um pouco mais contrárias ao homossexualismo feminino. Mas em todos esses casos, a diferença de opinião entre os extremos é de poucos pontos percentuais (
As diferenças mais expressivas de opinião quanto ao homossexualismo estão relacionadas ao nível de escolaridade. Os índices de rejeição vão caindo sistematicamente, conforme se eleva o nível de escolaridade Enquanto 94% dos analfabetos opinam contra o homossexualismo feminino, “somente” 75% dos que possuem nível superior expressam a mesma opinião. No que diz respeito a todos os outros aspectos da sexualidade (tais como masturbação e sexo anal e oral entre homem e mulher) a diferença entre os grupos fica significativamente maior.
São grandes também as diferenças entre seguidores da religião evangélica (pentecostais) e pessoas que não têm religião. Entre os primeiros, 94% são contrários ao homossexualismo feminino e, entre os segundos, “apenas” 78%. Agora, se o sujeito é pentecostal, mas vai bem pouco à Igreja, este índice de rejeição cai para 85%... Entre outras religiões, como a católica, a rejeição também é alta (88%). As religiões no Brasil alcançam cerca de 86% da população adulta brasileira (71% católicos, 10% evangélicos pentecostais, 5% evangélicos não-petencostais) cerca de 5% não professa religião alguma.
O curioso é que estas variações de opinião (de acordo com idade, religião, escolaridade, etc.) são bem menores no que diz respeito ás opiniões sobre homossexualismo. A variação é maior, por exemplo, quando o tema é masturbação: pessoas mais jovens e escolarizadas, habitantes de capitais, etc., tendem a ser bem mais favoráveis do que pessoas mais velhas, que não moram nas capitais, que têm pouca escolaridade, etc. Mas quanto ao homossexualismo, tanto masculino quanto feminino, as opiniões dos dois grupos são bem mais parecidas. Todos os brasileiros (de diferentes níveis sociais) tendem a se aproximar em sua rejeição ao homossexualismo.
Mas as variações de opiniões existem. Com base nos achados da pesquisa, os maiores índices de rejeição ao homossexualismo feminino encontram-se entre mulheres mais velhas, que habitam cidades que não são capitais e que estão localizadas nas regiões norte e nordeste, que não trabalham, que são religiosas e que possuem escolaridade muito baixa.
Pensando sobre os resultados...
A pesquisa é quantitativa e traça médias, não significando, portanto, que toda e qualquer pessoa com este perfil tenha necessariamente uma opinião mais conservadora sobre sexualidade do que uma pessoa com o perfil oposto. Além disso, sabemos muito bem das boates gays nas grandes cidades, dos trechos da praia ocupados por gays no Rio de Janeiro e até da parada gay de Salvador. A questão é que, ao que tudo indica, esses “nichos” não são representativos do que pensa o brasileiro médio sobre o assunto. Basta avaliar: quem é maioria? Os religiosos ou não religiosos? Quem mora em capital ou em outras cidades? Quem tem baixa ou elevada escolaridade? Pela demografia da população brasileira, a maioria está do lado conservador...
Por outro lado, se o Brasil é conservador, pode-se esperar alguma mudança de mentalidade na sociedade, à medida que gerações forem substituídas, principalmente por outras mais escolarizadas. Só a educação salva...
O livro vem sendo bastante debatido e criticado. Há uma certa dúvida sobre a validade das respostas porque talvez as pessoas tenham tido receio de parecerem “simpatizantes” ou até de serem confundidas com homossexuais e por isso tenham preferido marcar posição claramente contra. Os próprios cientistas explicam este fenômeno, chamado de “resposta socialmente desejada”: o entrevistado responde o que ele acha que a sociedade aprova.
Entretanto a pesquisa abordou assuntos diversos (racismo, corrupção, censura, lealdade, etc.) e também aspectos diversos da sexualidade (não só a opinião das pessoas sobre o homossexualismo, como também sobre masturbação, sexo oral, “leitura” de revistas pornográficas, sexo anal). As respostas nos tópicos sobre sexualidade tenderam consistentemente em direção ao conservadorismo, com a maioria dos entrevistados manifestando-se contra a diversidade de práticas sexuais. O que chama a atenção é que, de todos os aspectos da sexualidade tratados na pesquisa, o homossexualismo é o mais consistentemente rejeitado. É contra o homossexualismo que a maior parte das opiniões se unem, o que parece muito significativo.
O senso comum costuma afirmar que “na prática a teoria é outra”, isto é, que as pessoas se dizem conservadoras mas que, entre quatro paredes, a coisa muda de figura. É bem possível. Naturalmente, é difícil de se chegar a uma conclusão científica sobre o que as pessoas fazem no escurinho do quarto. Mas uma coisa é bastante importante e merece que se pense a respeito: o que se faz pode ser muito diferente do que se pensa, mas qual das duas coisas é mais importante na hora de: votar em um candidato, apoiar os direitos legais dos homossexuais e, principalmente, de aceitar sem praticar discriminação as pessoas que vivem e expressam livremente sua sexualidade? Para que as pessoas assumam atitudes favoráveis às causas gays, é necessário que elas transformem suas práticas em teorias, isto é, em uma visão de mundo.
Sabemos muito bem que as pessoas podem ter experiências homossexuais (seja no escurinho do quarto, no carnaval ou depois de uma bebedeira) sem arranhar um milímetro sua identidade sexual e sua maneira de encarar o homossexualismo. Assim, o contrário da frase repetida pelo senso comum (e que a pesquisa confirma) nos diz que “na teoria, a prática é outra”: por mais que as pessoas tenham uma prática diversa, isto não faz necessariamente com que elas mudem sua forma de pensar. E é com base nesta forma de pensar que elas se posicionam socialmente e é isto que afeta a vida dos homossexuais e não o que elas fazem entre quatro paredes. A prtir desta leitura, a pesquisa sugere que a mudança mais importante na sociedade brasileira, a mudança de mentalidade, ainda está por vir, e que há, portanto, muito trabalho a fazer ainda.
LIVRO: A cabeça do brasileiro, de Alberto Carlos Almeida.
Rio de Janeiro, Editora Record, 2007.
+/-R$ 42,00 nas livrarias (RJ), +/-R$ 33,00 on line.
Desejos
Faróis
Encontros
Em cada gozo há um segredo
uma chave a demolir
trincos
torres
medos
neste beijar insistente
cadência
perfeito deleite
Por Zelig, julho / 2007.
Como vive alguém que fuma?!
Uma mulher! Como vive uma mulher que fuma???
Já TEM suas táticas de guerra.
E mesmo quando com isqueiro funcionando.
Mantenha uma caixa de fósforos, bem cheia...
Em cada local estratégico de seu Mundo.
De seus muitos mundos também, e em especial.
Uma Fumante inveterada admite que mesmo sendo
O prazer de fumar contigo, descansando em nuvens de algodão doce
Trocando idéias e alguns mais Imagéticos Inimagináveis.
(Risos)
E dizem que somos loucas.
Mesmo assim, minha doce criança
Prefiro, tu para sempre longe
Desse meu prazer inveterado, qual maldição e parte exótica
De minha confusa pessoa.
Desculpe, Jovem,
Já não somos as únicas
Que encontraram o Amor
Nós somos felizes!!!
Autoria Irresponsável de
Safo, A Poeta
em 19/07/2007 – 21:55
PS: Safo (A Poeta) e a autora do site safonocinema não são a mesma a pessoa, embora ambas sejam dadas a autorias irresponsáveis.
Chame um táxi
Ou vá rolando
Só volte se ouvir
Eu discursar em desatino
(e com a boca toda torta)
Só pra garantir,
Tome a escova de dentes
E leve os filmes do Fellini
Não se preocupe, a gente se vê
Quem sabe no Fla-Flu
(em frente à estátua do Bellini)
Se me descontar a mesquinhez
Eu posso te dar um conselho
Se doer
Funciona, eu garanto
feche os olhos e cante
(“O sol há de brilhar mais uma vez...”)
Mas se apresse, ande, se adiante
Antes que a imagem me alcance
Você, linda, rodopia
Se entregando a braços outros
Desconjuro!
(É pior que endoscopia)
Por Zelig, Novembro 2007.
Que sob túmulos não repouse nada
Senão o medo de uma vida brava
Liberta das engrenagens
Por um sopro desta viagem
Ao íntimo de uma metáfora
Abraçar como se fosse uma sorte
caminhos privados de norte
das dores de todas as mortes
Provar
Flores fora de época
Que os olhos vêm perfurmar
Por Zelig, fevereiro de 2008.
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2007 |
A Turminha das sapinhas... Ci-Qing/Spider lilies
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2006 |
Sonia Notas sobre um escândalo |
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Imagine eu e você |
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2004 |
Três vidas e um destino |
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Todas as cores do amor |
2003 |
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2002 |
Minha mãe gosta de mulher Meu amor de verão |
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Assunto de meninas |
2001 |
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2000 |
Nunca fui santa |
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Aimée e Jaguar |
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1998 |
Amigas de colégio |
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Ligadas pelo desejo |
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1995 |
Uma cama para 3 |
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Almas gêmeas |
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1993 |
Quando a noite cai |
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Vera |
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UMA BRASILEIRA ILUSTRE
Por Rosana Gonçalves
"Combater a pobreza é fortalecer as capacidades das pessoas e os recursos da comunidade" Ruth Cardoso (1930-2008)
Dona Ruth Cardoso tinha cara séria, de professora exigente e brava. Era vista fazendo compras nos supermercados da região de Higienópolis.... escolhendo verduras e legumes.
Sua autenticidade e seus valores deixavam-se além das tendências de moda ou das imposições da mídia. Resistiu bravamente e até o fim não compactuou com a mistura entre o público e o privado.
Trabalhou muito
Doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP). Como docente e pesquisadora atuou em várias instituições, como a USP, Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso/Unesco), Universidade do Chile, Maison des Sciences de L´Homme (Paris), Universidade de Berkeley e Universidade de Columbia. Foi membro associado do Center for Latin American Studies da Universidade de Cambridge e membro da equipe de pesquisadores do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Publicou vários livros e trabalhos sobre imigração, movimentos sociais, juventude, meios de comunicação de massa, violência, cidadania e trabalho. Presidiu o Conselho do Programa Comunidade Solidária, ativo no período de 1995-2002. Em 2000 criou a Comunitas, uma organização da sociedade civil de interesse público, responsável pela garantia da continuidade dos programas gerados pela Comunidade Solidária, onde atuou até sua morte.
Deixa-nos imenso legado. Em seu exemplo de vida sobressai a virtude da persistência, traço marcante de seu caráter... uma brasileira ilustre que fica em nossa memória coletiva, pois "o que brilha com luz própria, nada pode apagar...". O trecho a seguir mostra traços de sua clareza intelectual, conjugada à sua luta em seu trabalho diário:
"Na maioria dos programas que buscam a focalização, os pobres constituem um segmento definido por critérios estatísticos, o que não define um ator social, mas sim um grupo heterogêneo que tem em comum um mesmo nível de renda. Por esta razão as ações de combate à pobreza que partirem deste tipo de focalização não contarão com interlocutores participantes, capazes de mobilizar identidades comunitárias. Como conseqüência, os projetos de desenvolvimento social dirigidos aos mais pobres podem e devem se inspirar no modelo das ações afirmativas, mas devem estar cientes de que a participação não decorre da focalização.
Localizados os pobres e feitas as doações, não aparecerá, como conseqüência, uma resposta espontânea destes indivíduos em apoio aos incentivos oferecidos. Pelo contrário, para ser incluído no mercado, quer como consumidor quer como trabalhador, é preciso ir além da superação da fome, da doença etc. É preciso desenvolver auto-estima, capacidade de comunicação e, ainda, confiança em seus saberes e em sua capacidade de aprender. Estas qualidades existentes em comunidades de pouca renda são mais fáceis de serem generalizadas quando há envolvimento coletivo e quando o grupo que está recebendo atenção se transforma em protagonista de sua mudança. Quando isso acontece, são capazes de definir as ações afirmativas que podem ser eficientes em cada contexto”.
RUTH CARDOSO - “Sustentabilidade, o desafio das políticas sociais no século 21", disponível em http://www.comunitas.org.br/
Por conta das pesquisas para escrever sobre o filme LOVE MY LIFE no site, acabei descobrindo um bando de coisas YURI por aí. O termo é utilizado para descrever desenhos japoneses com temas lésbicos, podendo incluir tanto os mangás (histórias em quadrinhos) quanto os animes (filmes e séries de animação).
O termo YURI às vezes aparece como sinônimo de SHOUJO-AI, mas os especialistas no assunto preferem reservar o termo Yuri para os desenhos cujas histórias abordam as relações lésbicas de modo mais explícito, enquanto o termo Shoujo-ai fica aplicado àquelas histórias de cunho mais romântico e idealizado entre meninas que, boa parte das vezes, nunca chegam a se definir como um relação de fato.
O mais próximo que tinha chegado até então desta produção tinha sido por meio de um anime que passava por aqui nos anos 70, chamado A princesa e o cavaleiro. A história atraiu minha atenção, contando a saga da princesa Safiri que, por conta da trapalhada de um anjo, nasceu com dois corações, um de menino e outro de menina.
Nos tempos em que eu via o desenho, não sabia bem como organizar minha percepção, mas me fascinava bastante aquele negócio de menina que fazia papel de menino e que ainda atraía a atenção de outra garota. Realmente, eu acompanhei a série com um interesse pra lá de especial e nunca, mas nunca mesmo, fixei o detalhe de que, no final da história, Safiri acabava ficando com um príncipe caretão (porém com os dois corações). Hoje reconhecido como um clássico, este desenho era originalmente um mangá criado por Osamu Tezuka em 1954, tendo sido transformado em anime em 1967. Foi um marco na criação de desenhos voltados para o público feminino, chamados shoujo. O shoujo-ai é uma espécie de variante desta produção.
Li alguns textos que afirmaram que a história de Safiri nada tinha a ver com metáforas de bissexualidade, estando mais no contexto de personagens que assumem identidades masculinas para ganhar espaço em uma sociedade machista. Personagens femininas que subvertem gêneros também aparecem nas histórias de Rose de Versailles e Revolutionary Girl Utena.
Lendo críticas e fóruns mundo virtual afora, vi que o público é bastante grande para este tipo de produção, mas há quem ache que boa parte dela é exploração de conteúdo lésbico (às vezes limitando-se a meras insinuações) para leitores que nada têm a ver com o lance, principalmente pela sucessão de personagens jovens e bonitinhas que ainda estão na escola. Para tirar minha prova dos nove, assisti à saga completa de STRAWBERRY PANIC!, um anime yuri muito bem cotado entre admiradores do gênero. A série tem 26 episódios, foi produzida em 2006, escrita por Sakurako Kimino (adaptação de Tatsuhiko Urahata) e dirigida por Masayuki Sakoi.
A história de Strawberry Panic! (Sakura No Oka) se passa no monte Astrea, onde existem três escolas exclusiva para meninas (Miator, Sppica e Lili) e vários espaços comuns de interação, como os “dormitórios morango”.
Entre as atividades escolares e o aprendizado de rituais sociais, as meninas experimentam o despertar afetivo e sexual. Além das paixonites agudas, canalizam as atenções as disputas políticas pelas posições mais prestigiadas das escolas. No cerne da trama está a estrutura das eleições para representante das três escolas, cargo mais cobiçado e que é desempenhado sempre por um casal. Na formação dos pares candidatos, os critérios políticos se chocam com os afetivos, deixando muita gente de coração partido...
A tônica da relações é bem mais romântica do que sexual, embora todos os casais tenham seus momentos mais ou menos explícitos. Afinal, são muitos quartos partilhados a duas e campos isolados ao redor das escolas para as meninas aproveitarem a vida. Os adultos quase não entram em cena e personagens masculinos, nem sombra deles...
As coisas, entretanto, se desenrolam em um tempo oriental, bem devagar, quase parando. Nos primeiros episódios, predominam os subtextos, as personagens ficam se perguntando o que estão sentindo e só lá pelo episódio 12 (são 26 ao todo) é que as relações vão se caracterizar mais claramente, ficando mais explicitados os interesses amorosos e políticos das personagens.
Há casais de todas as praias na série, uns fazendo o estilo “príncipe encantado e princesa gentil”, como Amane e Hikaro, outros compostos por garotas glamourosas (Shizuma e Nagisa), além do casal pérfido formado por Kenjou e Momoni. Correndo por fora, há o drama das garotas que sofrem com amores não correspondidos.
No começo, achei curiosíssimo aquele ambiente onde todas são socializadas na aceitação (e na prática) da homossexualidade. O amor por outra mulher é o caminho “natural” ali, invertendo totalmente a lógica que obriga à heterossexualidade. A personagem central, Nagisa, testou minha paciência com seus fricotes, mas depois acabei me envolvendo nos dramas pessoais e nos segredos tristes, de partir os corações sensíveis, que vão se revelando nos episódios. Bem, se eu assisti a todos os 26 e ainda achei o final KAWAI, nem posso disfarçar dizendo que foi “a trabalho”...
Bem levinho, para se distrair à tarde, cheio de cenas fofas à luz do luar. Trama como nas novelas, mas sem censura a beijos lésbicos.
Outros mangás e/ou animes com temas YURI / SHOUJO-AI são:
- STRAWBERRY PANIC! (2006), de Sakurako Kimino
- SIMOUN (2006), de Junji Nishimura
- REVOLUTIONARY GIRL UTENA (1996), de Chiho Saito
- MARIA-SAMA GA MITERU (2004), de Oyuki Konno
- FREE SOUL (2004), de Ebine Yamaji (que também escreveu LOVE MY LIFE)
- SAILOR MOON (1992), de Naoko Takeuchi
- RICA 'TTE KANJI!? (2004), de Rica Takashima
- RAGNAROK CITY (2001), de Satoshi Urushihara
- ROSE DE VERSAILLES (1972), de Ryoko Ikeda
- SHIROI HEYA (1971), de Ryoko Yamagishi
FONTES:
http://www.afterellen.com/archive/ellen/Print/2005/8/yuri.html
http://www.shoujohouse.clubedohost.com/Shoujo/ribon.html
http://www.shoujo-cafe.blogspot.com/
Este ranking contém apenas os filmes resenhados neste site e foi elaborado de acordo com dados do International Movie Data Base (IMDB). Leva em conta apenas a quantidade e não a qualidade dos prêmios. O filme Vera tem 4 premiações de acordo com o IMDB e 9 de acordo com o site do NEXUSCINEMA (http://www.nexuscinema.com.br/vera/premios.htm).
MENINOS NÃO CHORAM (41)
MONSTER (19)
TÃO DE REPENTE (17)
AMIGAS DE COLÉGIO(15)
NOTAS SOBRE UM ESCÂNDALO (10)
TODAS AS CORES DO AMOR (09)
MINHA MÃE GOSTA DE MULHER (09)
GIA: FAMA E DESTRUIÇÃO(09)
BEIJANDO JESSICA STEIN (08)
MEU AMOR DE VERÃO (08)
DESEJO PROIBIDO 2 (07)
TRÊS VIDAS E UM DESTINO (06)
AIMÉE & JAGUAR (06)
LIGADAS PELO DESEJO (06)
FOGO E DESEJO(06)
LOVING ANNABELLE (06)
PROCURA-SE AMY (05)
SONIA (05)
ALMAS GÊMEAS (04)
VERA (04)
ASSUNTO DE MENINAS (04)
O PAR PERFEITO (04)
ITTY BITTY TITTY COMMITTEE (03)
CURVAS (03)
UMA CAMA PARA TRÊS (02)
LÍRIOS D'ÁGUA (02)
CORAÇÕES DESERTOS (02)
NUNCA FUI SANTA (02)
ABRIGO (02)
TIRANDO O VÉU (02)
LIVRANDO A CARA (01)
MELHOR QUE CHOCOLATE (01)
LOVE MY LIFE (01)
MANGO KISS (01)
DEBS (01)
CI-QING/SPIDER LILIES (01)
INFÂMIA (01)
PUCCINI PARA INICIANTES (01)
O DIÁRIO ROUBADO (00)
O BEIJO DA BORBOLETA (00)
IMAGINE EU E VOCÊ (00)
QUANDO A NOITE CAI (00)
UM AMOR INESPERADO (00)
O CLUBE DAS GAROTAS (00)
AFFINITY (00)
AS DELÍCIAS CELESTIAIS DE NINA (00)
LIANNA (00)